Traições e jogo de política familiar fragilizam Roberto Rocha e o PSDB no Maranhão


Apoio do tucano à Braide revela acordos escusos que ameaçam sua eleição à prefeitura.

Para quem articula uma candidatura ao governo do Estado em 2022, o presidente estadual do PSDB, senador Roberto Rocha parece remar contra a maré, num jogo que envolve traições e a manjada política de fortalecimento da família dentro da sigla. O PSDB acaba se transformando numa autêntica Capitania Hereditária. Quando se fala em traição, a mais nova vítima do senador tucano foi o deputado estadual Wellington do Curso.

 O parlamentar, até então figurando entre os três mais bem situados na corrida sucessória municipal em São Luís,  de acordo com todas as rodadas de pesquisas, foi apunhalado pelas costas e teve sua pré-candidatura interrompida por Roberto Rocha, que reuniu a imprensa para divulgar que o partido não terá candidato, porque decidiu aderir ao projeto do deputado federal Eduardo Braide (Podemos).

Um jogo do toma-lá-dá-cá. Roberto Rocha sacrificou Wellington do Curso em São Luís, enquanto Braide degolou Daniel Fiin em Imperatriz. Nesse troca-troca, Fiin será o vice do tucano Sebastião Madeira na Princesa do Tocantins. Braide também começa mostrar  o que é capaz nesse jogo de interesses.

Sobre Wellington do Curso, ainda está viva na memória a última eleição municipal, em 2016, em que Roberto Rocha Júnior, à época no PSB, sem qualquer chance de se reeleger vereador, por conta da atuação pífia, já que jogar vídeo game sempre foi o hobby preferido do atual presidente municipal, por isso, na época, foi colocado pelo pai como candidato a vice do deputado que agora é o principal alvo da traição rochista. Foi uma saída honrosa para o filhote que certamente sairia humilhado se tentasse a reeleição para a Câmara Municipal.

“O senador Roberto Rocha, presidente estadual do PSDB, confirmou que o deputado Wellington do Curso é o candidato do partido a prefeito de São Luís. “Ele sempre foi o pré-candidato do partido“, disse Roberto ao blog do John Cutrim.

Até então havia a especulação de que o PSDB poderia apoiar o deputado Eduardo Braide e indicar o vice”. Roberto recebeu Wellington ontem em Brasília e os dois trataram das eleições em São Luís.

O texto acima foi extraído do blogue do Jonh Cutrim, em postagem do dia 6 de março deste ano.


Essa é apenas mais uma entre as traições praticadas por Rocha contra quem lhe estende a mão. Quando disputou o Senado, teve como principal adversário o atual deputado federal Gastão Vieira (PROS), que durante toda a campanha sempre esteve na dianteira pelos apontamentos dos institutos de pesquisas.

Nos últimos dias, o governador Flávio Dino entrou no corpo a corpo da disputa senatorial e jogou todo o seu prestígio para eleger Roberto Rocha.

A recompensa é que, tão logo assumiu a cadeira no Congresso Nacional, o senador se aliou a Bolsonaro e passou a hostilizar o político responsável pela sua eleição. Foi assim também com João Castelo, com Edivaldo Jr., e com todos aqueles que um dia foram seus aliados.

Enquanto busca um lugar ao sol para o filho, o ex-vereador Roberto Rocha Júnior e demais parentes, o senador Roberto Rocha deixa o PSDB em frangalhos no Maranhão. Deve ser, talvez, o caso do único pretenso líder político, que não tem grupo.

Prova disso é que não conta com apoio de nenhum deputado federal, nenhum deputado estadual e sequer um vereador, na capital ou no interior.

O partido que já comandou o País, no Maranhão, é representado apenas pela família Rocha. O senador dirige a Executiva Estadual e o filho, a Municipal. Uma verdadeira nave sem rumo. A mesma coisa aconteceu com o PSB, quando foi presidido por Roberto Rocha no Estado. Falta-lhe articulação para formatação de um grupo, ou talvez a classe política tenha receio de se aliar a ele, por conta das punhaladas nos aliados, que já se tornaram uma rotina na vida do congressista  tucano.